Sobre padrões e paranoias.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014 • por Júlia Theodoro Duarte
Desde que eu era mais nova, tive que lidar com meu corpo de um ponto de vista nada gentil. Sempre tive problemas com meu peso, que eram diretamente relacionados à minha saúde. Não nasci uma bebê pequeno, nunca fui mignon e aceitei pra mim que nunca serei. Mas até entender isso foi um longo caminho odiando meu corpo e tentando transformá-lo em qualquer coisa, além do que ele verdadeiramente é.

Meu corpo nunca foi como o das outras meninas que frequentavam a escola comigo, ou até mesmo minhas primas. Elas sempre eram mais magras e bonitas e eu sempre me senti o patinho feio. Nunca fui apontada por nada, nunca sofri bullying, ao contrário, sempre fui muito bem aceita. Mas dentro de mim, alguma coisinha apitava dizendo que eu não era como elas e que nunca seria. Isso me chateava, muito. Fazia atividades físicas, como natação, ginástica rítmica e dança do ventre, mas isso nunca mudou o que eu não tenho como mudar; minha estrutura corporal (na verdade, só me deu ombros alguns centímetros mais largos). De novo, nunca fui uma criança pequena e por mais que eu perdesse todos os quilos desse mundo, jamais mudaria e seria magra como as outras. E como eu demorei pra aceitar isso.


ok, tecnicamente eu já fui pequena.

O único jeito de superar os traumas que aos poucos eu criei, era me sobressaindo em outros aspectos, como sendo a melhor da turma, ou a que ganhava medalhas nos campeonatos, ou aquela que fazia umas gracinhas pra todo mundo rir. Nunca a mais bonita, nunca a mais magra. E pode parecer bobeira, mas esse trauma que eu não sabia que estava alimentando, me fez apagar completamente qualquer memória de como era meu corpo quando eu era mais nova. Não me lembro de me olhar no espelho e gostar do que via, mal lembro do que eu via, na realidade. Tem um espaço em branco na minha memória entre minha infância e adolescência, relacionado ao meu corpo, que por mais que eu tente não consigo preencher.

O que eu lembro é de odiar comprar roupas, porque eu não cabia nos números de criança da C&A. Metade de mim não aceitava não caber num número correspondente com a minha idade, e a outra metade era a minha mãe sofrendo da mesma indignação. Mas gente, por Deus, eu não era uma criança magra, porque eu não tinha uma estrutura de criança magra! Odiava ter que entrar nessas lojas de rua e saber que única coisa que cabia em mim era um conjunto de moletom. As outras meninas usavam calça jeans, E EU QUERIA UMA CALÇA JEANS! E tudo porque eu queria ser magra como as outras meninas.


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sabe quem também não acha calça? o batman e o robin. e olha que o batman é um cara massa.

Mas ninguém nunca me explicou que tá tudo bem não ser magra como as outras meninas e não achar uma calça jeans do seu tamanho, que a culpa não é sua. Ninguém me explicou por anos que a culpa não é minha, pelo contrário, me fizeram acreditar que a única culpada por não ser uma pessoa magra, ERA EU. Ninguém nunca me explicou que eu não deveria moldar meu corpo pra caber num pedaço de tecido e virar escrava de um monte de panos e costuras. Ninguém me explicou que eu tinha a opção contrária, de fazer as outras coisas se adaptarem ao meu corpo. Ninguém me explicou que por muitas vezes, aquelas meninas que eu achava magras e maravilhosas, já usavam calça tamanho 34/36 da seção adulta. E eu me culpando eternamente por usar 40. Ninguém nunca me explicou que existe beleza e MUITA beleza do 40 em diante, e em não se encaixar num "padrão" ilusório e cruel.

Hoje eu tenho a sorte de olhar pra toda essa situação e entender que tá tudo bem. De verdade. Hoje eu aceito meu corpo (às vezes eu ainda dou um rage quando uma roupa ou outra não fica boa, ou quando eu erro o tamanho da compra da China, mas beleza meu, acontece!!!) e aceito que vou ter que viver e conviver com ele até o fim dessa vida. Eu posso emagrecer, fazer dietas, ir pra uma mesa de cirurgia pra mudar ele, mas no fundo, vou sempre ser aquela mesma criança que nunca foi pequena. E de que adianta mudar o exterior se a verdade vai sempre gritar por dentro? Melhor deixar pra lá.
Hoje eu vou pra academia, mas principalmente porque minha saúde se tornou uma prioridade. Mas quando eu não quero, também não vou pra academia e como um montãozão de bolo! Eu amo bolo! E não vai ter padrão que vai me IMPEDIR. DE. COMER. MEU. BOLO. Hoje eu gosto do que eu vejo no espelho e olho fixamente pra poder lembrar daqui 10 anos e saber que não vai ser uma memória ruim. Hoje eu não entro em crise quando uma camiseta M não fica perfeita ou quando uma saia 40 não consegue lidar com as minhas medidas. Eu vou lá e pego um número maior e mando um #CHORAABNT. A etiqueta é um guia, não um ditador na minha vida. E quando ela pensa em mostrar que eu "tô gorda" eu não penso duas vezes em colocar a peça de volta na arara. Não sou obrigada, não mesmo. Nem você.


esse bolo eu não amo. tinha coco. nunca me dê um bolo que tem coco. francamente.

Talvez inconscientemente, eu tenha escolhido uma faculdade de Moda por isso. Nunca justifiquei convincentemente minha escolha e não posso chamar de uma paixão que eu sempre tive, mas talvez em algum lugar aqui dentro, eu tenha escolhido trabalhar com uma área tão ingrata com o corpo feminino pra conseguir mudar isso e saber que tem espaço pra quem nunca foi uma criança pequena. E pra conseguir explicar pra alguém, tudo aquilo que ninguém me explicou. E pra falar pra quem se enche de traumas e paranoias que tá tudo bem. Tá tudo muito bem. E que você é linda e é muito mais do que um conjunto de números e medidas que não fazem o menor sentido.

Eu não sei exatamente qual a conclusão desse texto, nem qual peso ele vai ter na sua vida, mas eu espero, duas coisas: que você se identifique com o que eu penso atualmente e que você nunca deixe de gostar do seu corpo, por ele ser como é. Não é culpa sua. Quer dizer, aquela batata frita do fim de semana até pode ser culpa sua, mas nossa, como tava boa. Então não é culpa sua. É da batata. Quem mandou ela ser tão gostosa e não-saudável? Abusada.

Bora querer se encaixar menos em padrões? Esquecer as paranoias? Olhar pro corpo com olhos mais gentis e menos com olhos de produtores de moda? Eu acho é muito bom. E acho bom começar já. Beijo no cuore, até mais ♥

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